A história dos ciganos no Rio de Janeiro – Brasil
A presença dos ciganos na Praça Tiradentes é certa desde o início do século XVIII.
Primeiramente ocuparam uns brejos , que pela dificuldade de edificar e pela insalubridade , eram terrenos desvalorizados. Esta área viria a ser o campo de Sant’Ana , conhecido também por campo dos ciganos . Esse foi o primeiro assentamento cigano no Rio de Janeiro. Posteriormente, a partir de 1821, viria a ser o Largo do Rossio ( atual Praça Tiradentes ). Quando Luiz de Vasconcellos e Souza. Vice-rei entre 1779 e 1790, iniciou o saneamento desses brejos, os ciganos foram obrigados a se mudar. Com o consentimento da Ordem do Carmo, instalaran-se na chácara que pertencia a Paula Carvalho, junto às divisas das terras de Coelho da Silva. Aí levantaram as suas casas, formando uma nova rua, em ângulo reto com a de São Jorge e que deles tormou o nome, conservando-o até a época da independência. Desde então até hoje a antiga rua dos ciganos manteve a designação de rua da constituição, ligando o lago Rossio à atual Praça da Repúplica. Foi nessa área que se concentrou a população cigana no Rio da Janeiro durante todo o século XIX.
Nos anos que precederam a independência, durante a permanência da Corte Potuguesa no Brasil, essa comunidade vivia em pleno florescimento econômico e artístico. Apesar da comunidade do campo de Sant’Ana ter se formado a partir de miseráveis famílias deportadas no início do século XVIII, diversos ciganos tornaram-se ricos. Além da atividade artística, o ofício de meirinho tinha para eles especial atenção.
Não apenas a riqueza fez com que ciganos se destacassem, também a comportamento de alguns os tornou notáveis. O rico e humanitário Joaquim Antônio Rabelo patrocinaria as danças e homenagens ciganas, por ocasião do casamento de D. Pedro I, com a Princesa Leopoldina, em 1813. Ele recebeu a patente de Sargento-mor do 3* regimento de milícias da corte, que lhe foi concedida à mercê de melhoramento de forma no posto de Tenente-coronel. Além disto, na mesma ocasião, foram nomeados alferes diversos ciganos agregados das Ordenanças da Corte. Os ciganos também participaram das festividades de casamento da princesa da Beira, filha mais velha de D. João VI, com um infante de Espanha, em 1810. Quando se comemorou a elevação de Brasil a Reino Unido em 1815, no segundo dos três dias de celebrações, Dom João VI levou a corte inteira e a delegação estrangeira ao Campo dos Ciganos para uma tarde e noite de danças e entretenimento. Posteriormente, quando do casamento do Príncipe Real Dom Pedro, em 1818, os ciganos foram novamente convidados para apresentarem suas danças e músicas. Em meados e fins da década de 1810, o Campo dos ciganos havia se tornado o bairro boêmio do Rio.
Assim, no fim da década de 1820, os ciganos já não eram mais requisitados para se apresentarem nas festividades na Corte do império recém-fundado. E no início do século XIX, a questão da raça era um tema fundamental para a identidade nacional. No momento imediatamente posterior a Independência, buscou-se descrever a nação distinguindo os tipos humanos e analisando os efeitos da miscigenação que teve o seu marco bem assentado no ano de 1838, quando foi criado o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Em meados do século XIX, o Império elegeu o indígena como o seu símbolo fundamental e fez-se o discurso de que a miscegenação entre o branco, o negro e o índio consolidaria na nação. Diante disso, a presença dos ciganos na composição da população seria omitida negando-se aos mesmos o direito à história e colocando-os à margem da sociedade .
Marcelo Vacite
Presidente da União cigana do Brasil


Deixe um comentário